AVARÉ
Colégio Coronel João Cruz
Escrito por Lúcia Brandão às 15h00
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FAMÍLIA CRUZ - Avaré

Foto de 1950, da esquerda para direita João, Domingos, Miguel, Aristides Bruno, Aristides Cruz, José, Izidoro, Antonio, Adelino, Assucena, Ester, Tereza, Genara, Antonio, Maria, Maria Daniel, Geny, Leonardo, Leonice, Estela, Celso, Célio, Cesar, Sebastião, Dolores, Toninho Bruno, Vera, Carlos, Clarice, Dada.

Marcos Cruz 1965
Escrito por Lúcia Brandão às 20h06
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Revendedora Studebaker - acervo FAMÍLIA ZANLUCCHI
Segue abaixo um conto...
Este é do nosso poeta maior, o avareense JOSÉ CARLOS DOS SANTOS PERES .
Foi premiado no ano passado, em PIRACICABA.
A estória, bastante cômica, tem tudo a ver com Avaré.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h27
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AS GALINHAS DE DONA EULÁLIA 
I – O STUDEBAKER E O LOCUTOR AZARÃO
A rua pedregosa pedia benção ao pé do cruzeiro, descendo do bairro alto. Tão alto o bairro que caminhão precisava descer engrenado que um dia, carregado de lenha, desembestou e foi um Deus-nos-acuda pelo amor da Santíssima. Estava tendo quermesse no Largo da Matriz e foi só frango assado, tabuleiros, pirulitos, queijadinhas e afins e mulher levantando saia num desespero tamanho.
Meu pai conta que padre Saldanha, recém-chegado e de quem se dizia adepto de rabos-de-saia, dependurou-se na corda do sino, em busca de uma ajuda que não tinha de onde e talvez por um milagre de São José - a festa era dele para poder chover nas roças, o caso é que o bicho calou o pára-choque no pilar do coreto, lançando autoridades pra tudo que é lado. Até o prefeito despencou, agarrado na dentadura.
Meu pai conta que a Banda do Maestro Genaro debandou de vez, assim que Zé da Boléia, cabeça para fora do caminhão, pôs se a gritar desesperado: arredam que não tem breque! Arredam, desgraçados! O maestro, tuba enroscando nos pés, saiu catando cavacos: - “ainda esfolo esse chofer de merda”.
O mais trágico, conta meu pai, foi ver o coitado do Zé do Mirtão, locutor do serviço de alto-falantes da praça, abandonar seu posto, carregando uma dúzia de acetatos por debaixo do braço, enquanto na outra mão, empunhando o pedestal com o microfone Phillips, anunciava mais uma prenda: Quanto me dão por este rolo de fumo Tietê? Dou-lhe uma! Dou-lhe duas! Dou-lhe...
Zé do Mirtão, depois disso, até para fugir da gozação dos amigos, foi tentar a sorte na Rádio Piratininga, em São Paulo...Passados alguns meses estava de volta, para anunciar aniversários, falecimentos e músicas, numa gentileza dos Armarinhos Varela, com apoio da Prefeitura Municipal, através do prefeito Coronel Oliveira Cunha e do “amigo de todos”, o deputado estadual Dr. Marcondes.
Meu pai conta que um dia Zé do Mirtão – nem bem refeito do vexame do quase atropelamento, recebeu um bilhete cor-de-rosa “desenhadinho” com flores e lábios... Coração em disparada, ele, que nas horas do aperto se havia com a cabra Menina (*1), na ilusão de que nada soubessem, abriu o papelzinho e foi à leitura, sem observar antes o que ele dizia.
E ele dizia: “Vai cartinha venturosa por esse mundo sem fim, vai dizê prô Zé do Mirtão que não se esqueça de mim...” Coração a mil, caprichou na voz quando leu o postscriptum:“Zé do Mirtão, pede pra cagá e vai embora, que a Menina te espera ao pé do cupinzeiro”.
Houve um momento de espanto geral... O imprevisto triturou o coração do homem e quando alguns já começavam a rir eis que a voz mascada do locutor, sem a impostação costumeira, mordeu a praça: “a biscate que me mandou este bilhete pode ficar tranqüila que, a partir deste momento, saio para cagar e não volto mais...”.
Dito e feito! Zé do Mirtão colocou no ar a vinheta de encerramento – “Senhoras e senhores ouvintes, o Serviço de Alto-Falantes da Praça da Matriz cumpre, mais uma vez, o seu compromisso de levar informação e entretenimento ao povo, prometendo retornar amanhã, neste mesmo horário... Tenham todos, com as graças de Deus, uma Boa-Noite!”, desligou o aparelho, encostou a porta da saleta e desapareceu pela rua pedregosa, aquela que pedia benção, ao pé da cruz.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h22
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II – AQUI A HISTÓRIA TENTA OUTRO CAMINHO
Outros locutores foram contratados pela prefeitura para substituir Zé do Mirtão, porém, sem nenhum sucesso. As músicas eram outras, os textos dos anúncios eram diferentes e nenhum deles tinha o carisma do antigo locutor. Até que uma noite, o prefeito Cel. Oliveira Cunha, no seu programa dominical “Ao Pé da Corneta”, anunciou o fim do Serviço, porque estava se instalando na cidade, de propriedade do Deputado Dr. Marcondes – “o amigo de todos”, a PRF – 9 (* 2)...Era o progresso que vinha em ondas, conforme caprichou no enunciado.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h21
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III – MEU PAI RETOMA A HISTÓRIA E DONA EULÁLIA ENTRA EM CENA
Meu pai gostava mesmo era de falar do “estudebeiquer” que desembestou do bairro alto. O acontecimento, dizia ele, foi tão importante que até o governador mandou ofício (* 3) de solidariedade ao prefeito, documento que o alcaide fez circular pela cidade, com todos apondo ciência em folha anexa, antes de afixá-lo no átrio da Matriz. Mas não houve jeito. O descontrole do caminhão mudou os rumos da política local.
Os correligionários do Coronel Oliveira Cunha, indignados com o resultado das urnas, também culparam a dona Eulália – ela que foi a grande prejudicada com o tal acidente, já que a roda traseira do caminhão esmagou o gradeado com três galinhas carijós que pretendia vender durante a quermesse.
Acontece que houve um Requerimento na Câmara (* 4), apresentado pelo vereador Zico da Santa, da bancada de oposição e fiel escudeiro do deputado Major Gonçalo Alves, inimigo do prefeito e do Dr. Marcondes, para ressarcir a empresária do ramo galináceo. Porém, por determinação do prefeito, a Casa votou contra, com o presidente do Legislativo dizendo na Justificativa, com mordaz ironia: “dinheiro público não é para qualquer galinha”.
Meu pai conta que na verdade os vereadores votaram contra o Requerimento porque Zico da Santa andava de trela com a jovem viúva – mulher de ancas sacudidas e seios que ai-meu-deus-do-céu-ainda-morro-disso. Tanto que na tarde do trágico acidente, dona Santinha, esposa do vereador, foi até o galinheiro, que mantinha nos fundos da casa, e deu pela ausência de três penosas. Desconfiada, foi ter com o marido: - “é uma eleitora poderosa e as três galinhas me renderão um balaio de votos”.
Raposa sem-vergonha é o que você é, gritou a mulher. E se armou com uma guasca de couro cru, como, aliás, são todas as guascas de qualidade, e foi tirar satisfação com dona Eulália.
IV – UM CAPÍTULO PARA SANTINHA
Meu pai conta que o espetáculo foi impressionante. Nem quando a mulher barbada apareceu no circo Piranha o alvoroço foi tanto; nem quando a Associação Desportiva venceu o Campeonato Amador do Estado (* 5), tanta gente se reuniu para um evento. Todos, sabendo da personalidade forte das duas mulheres, aguardavam, havia anos, por um desfecho dessa natureza, já que o caso extraconjugal do vereador era do domínio público.
A cidade desceu em peso para a rua das Flores. Gente pelo muro, pelas árvores do quintal, pelas janelas da casa de dona Eulália... O guarda Guilhermino foi convocado às presas para tentar conter as mulheres, o prefeito suspendeu a reunião que teria com os fazendeiros e até o repórter da PRF-9 entrou ao vivo no programa “Ao Cair da Tarde um Piano Fala ao Seu Coração” para noticiar, com exclusividade, o qüiproquó armado. O maestro Genaro, tuba debaixo do braço, não se conformava em não poder participar com uma retreta.
Curiosamente, o padre Saldanha, avisado pelo prefeito da confusão e da necessidade de se fazer presente para, em nome de Deus, acalmar e até castigar as duas pecadoras, alegou uma terrível queda de pressão e se recolheu aos aposentos da Casa Paroquial.
Dona Eulália gritava me acode que o demo baixou na dona Santinha e esta puxava a costa larga da rival na guasca. Ninguém ousou acudir, até que o guarda, cioso de sua condição de autoridade de farda presente, foi se achegando, achegando e num zás tomou o couro de dona Santinha, não sem antes levar umas duas ou três chicotadas pela fuça, que a mulher espumava, possessa, batendo em tudo o que se mexia.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h20
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V – TUDO MUDA, MENOS A HISTÓRIA
Após a briga das mulheres a cidade não foi mais a mesma. Não pela briga, que o acontecimento só serviu para despertar um certo incômodo nas “famílias de bem”: “Onde já se viu tamanho despropósito!”; “A que ponto, meu Deus!”; “Os tempos são chegados!”; “Precisamos de um novo Dutra para pôr ordem nas coisas...” O progresso chegava com a Maria-Fumaça inaugurando a Estrada de Ferro, a máquina de expurgar café, o “Gymnásio” com curso noturno, a “jardineira” para o transporte intermunicipal e água encanada para o chafariz de muitas bicas na praça central.
As pedras foram trocadas por outras, menos lisas e mais regulares e o novo prefeito – Cel. Teodoro Assis, com verba liberada junto ao governo, graças aos esforços do deputado Major Gonçalo Alves – “o verdadeiro amigo do povo”, construiu três “lombadas”, para conter a velocidade dos veículos, cuja frota aumentava, graças ao ciclo do algodão.
A cidade entrava na era da modernidade e então dona Eulália, elogiada por seu tino comercial, desistiu de criar galinhas e montou a Boate “Naite” Clube I Love You, ao lado da Casa Paroquial, o que serviu para protestos e passeatas das “mulheres de bem”, mas sem repercussão no Fórum, que o progresso, conforme disse o Juiz da Comarca, era assim mesmo: “trazia desenvolvimento à custa de certas mazelas”.
Mas se aparentemente dona Eulália tinha superado o incidente com dona Santinha, esta fazia questão de manter acesa a rivalidade, ainda mais que o seu Zico, desgostoso com a política, resolvera se mudar de vez para um quartinho, nos fundos da “Naite”.
Inconformada com a perda do marido, dona Santa fazia questão de passar, todo dia, defronte a boate – que ela chamava de espelunca, com o seu xale de seda dobrado sobre a bíblia, só para repetir em alto som uma mesma frase: “ela só fez por trocar de galinheiro. Agora as galinhas são outras, e bem mais vagabundas”.
VI – MEU PAI CONTA O FINAL DA HISTÓRIA
Meu pai conta que dona Eulália, então em idade avançada, resolveu pôr fim àquela situação, mesmo que com isso pudesse magoar o seu companheiro e ex-marido de Santa, o Zico.
Assim, numa noite de lua cheia, fez o cabo Guilhermino, que era um dos mais assíduos freqüentadores da Casa, principalmente após a aposentadoria militar, ser portador de um bilhete. Nele, em letras nervosas, mas caprichadas, dona Eulália mostrava a sua guasca, e o quanto ela também podia cortar:
--- “Estou sabendo o porquê de suas idas diárias ao confessionário. O seu galo de batina também freqüenta o meu terreiro e aqui ele pia qual franguinho, principalmente quando a ração é das boas. Se a partir de amanhã a galinha carijó passar defronte o meu estabelecimento com aquele discurso de falso moralismo eu abro o bico e conto pra todo mundo em qual galinheiro a penosa anda ciscando” (* 6).
Dona Santa, pega no contrapé, se aquietou. Mas, às vezes, tinha lá as suas recaídas e, desvairada, com os cabelos brancos desarrumados, corria em círculo diante da boate, sendo observada pelos olhos saudosos de uma velha cabra, a grande prejudicada desta história contada pelo meu pai, já que ficara sem o Zé do Mirtão e sem os adolescentes, que passaram a preferir as camas perfumadas da I Love You ao incômodo de um cupinzeiro, lá pelos altos do bairro, de onde descia a rua pedregosa para pedir benção, aos pés do santo crucificado.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h20
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VII – Notas de rodapé – aqui o autor apela para dar sustentação aos causos do velho.
(*1) – A cabra Menina foi condecorada, durante festa do Peão, como patrimônio da humanidade, pelos relevantes serviços prestados aos jovens iniciantes nas atividades sexuais. Recebeu a Grande Ordem Zé do Mirtão e foi capa do Jornal do” Commércio”, órgão oficial do município.
(* 2) – 100 Watts de potência, 1.340 quilohertz em Amplitude Modulada.
(* 3) – “Prezado amigo Cel. Oliveira Cunha, fui informado pelo nosso amigo em comum, o nobre Deputado Dr. Marcondes, do infortúnio que assolou o progressista município... Quero, nesta oportunidade, transmitir ao povo dessa querida cidade e em particular ao amigo prefeito, a minha solidariedade. E, mais que isso, colocar o meu governo à disposição para, dentro de nossos parcos recursos, estudar alguma maneira de ajudá-los na recuperação do coreto...”
(* 4) – Requerimento de nº 01 – Requeiro à Mesa, dispensadas as formalidades de praxe, que esta Casa, sempre ciosa de suas obrigações para com o povo, formule um convite à dona Eulália Silveira – figura de proa de nossa sociedade e estimada pela população mais pobre, que nos forneça a quantidade e características das galinhas que foram atropeladas durante a realização da quermesse de nossa paróquia, para que possamos encaminhar ao Prefeito o pedido de ressarcimento pelos prejuízos que o tresloucado caminhão provocou... Os Prezados Colegas e Nobres Pares hão de convir com este vereador que a responsabilidade pelo acontecido é da prefeitura, já que a rua em declive a ela pertence. Outrossim, que se intime o Zé da Boleia para comparecer em nossa próxima reunião, quando deverá receber um “sabão” do senhor presidente da Casa, haja vista não ter socorrido o maestro Genaro quando este se viu com a cabeça dentro da campânula da tuba, após sair catando cavacos...
(* 5) – Ficha Técnica da decisão: Estádio “Prefeito Oliveirão”; A. Desportiva – 1 x Visitantes – 0. Goal do Zé do Mirtão, 38 min. 2º T. O prélio estava parelho quando a pelota veio escanteada e Zé do Mirtão, center-half do time, pegou na orelha da bichinha para estufar o barbante. Escalação do campeão: Oliveira Cunha, Dr. Marcondes e Guarda Guilhermino: Zé da Boléia e Maestro Genaro; Meu Pai e Zé do Mirtão; Padre Saldanha, Zico da Santa, Capitão Conçalo Alves e Cel. Teodoro Assis. Técnico: Oliveira Cunha. Sistema de jogo: 2-2-2-4. Patrocínio nas camisetas: “Transportadora Zé da Boleia – saí da frente que atrás vem lenha”. Arrecadação: não anunciada. Arbitro desconhecido, catado entre os presentes já que o escalado pela FPF ficou preso no trânsito do gado pela estrada principal e quando chegou ao campo o sol já se punha por detrás do morro.
(* 6) Traduzindo: Dona Santa dava para o padre Saldanha, a danada.
Escrito por Lúcia Brandão às 11h19
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AVARÉ
Cel. João Cruz 1956 - 1 série B

Acervo Dr. Miguel Paulucci
Escrito por Lúcia Brandão às 16h20
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HISTÓRIA DE AVARÉ - 2
Mais um programa especial, sobre a história de Avaré, no "COMEÇANDO O FINAL DE SEMANA", Rádio Cidadania.
Apresentado por Roberto Scandolo e desta vez, com minha participação.
Como convidado, o Prof. Tininho Negrão.
AQUI a segunda metade do programa
(perdemos a primeira, por conta do horário de verão)

Prof. Tininho Negrão e Rodrigo Paixão

Roberto Scandolo


Tininho Negrão, Lúcia Brandão, Roberto Scandolo
Escrito por Lúcia Brandão às 00h41
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Bóris e Hilda Rivabenne
Bóris Rivabenne, foi um grande pintor e gravurista.
Médico obstetra, casou-se com Hilda, enfermeira padrão, parteira e como ele, apaixonada pelas artes.
Moraram durante muitos anos em Avaré, cidade natal da Dona Hilda, filha de um tropeiro gaucho, que trazia para casa, os animais das fazendas próximas e distantes, para a doma e depois de um mês, viajava de volta com os animais, para a entrega do serviço.
Neste domingo, passei uma noite deliciosa no estúdio da dona Hilda, que me mostrou um livro com a história artística do Dr. Bóris, com muitos recortes de jornais, convites de exposições e cartas assinadas por gente batuta.
lápis grafite sobre papel testurado
Aquela casa é repleta de arte, beleza, emoção e delicadeza.
Bóris participou durante muito tempo, da Associação dos Gravuristas Brasileiros, fazendo parte de importantes exposições, sempre ao lado, de nomes muito importantes da arte brasileira, assim como ele, autor de um traço irreverente, destemido, fluido e sobretudo, o mais interessante nesta estória deste senhor que nos deixou há tres anos, um traço inovador.
Fiquei muito feliz em ver as fotos de Tarsila do Amaral, ja com cerca de 70 anos, na exposição do Sr. Bóris e conversando entusiasticamente com ele, eram grandes amigos!

Tarsila do Amaral e Dr. Bóris.
4-Mário de Andrade, em 21/12/1927:
"Tarsila é um dos temperamentos mais fortes que os modernos revelaram pro Brasil. Afeita às correntes mais em voga da pintura universal, ela conseguiu uma solução absolutamente pessoal que chamou a atenção dos mandões da pintura moderna parisiense. Provinda de família tradicional, se sentindo muito a gosto dentro da história da nossa pintura ela foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional…".

Nesta prensa, Bóris imprimiu inúmeras gravuras de Tarsila, era o preferido dela.
Completo este post em breve!
Escrito por Lúcia Brandão às 01h43
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CASOS E CAUSOS DE AVARÉ
Ontem à noite, dia 27 de Janeiro, tivemos um programa especial na Rádio Cidadania de AVARÉ, substituí o Roberto Scandollo que apresenta e produz o programa "COMEÇANDO O FINAL DE SEMANA" todas as sextas-feiras das 21h00 às 23h00.
Fazia tempo que não falava com ele e fiquei muito contente com o convite, me disse que ele estaria ausente no decorrer de duas semanas consecutivas.
A idéia do programa nasceu de uma observação do Dr Miguel Paulucci, médico e ex prefeito de Avaré, de que a história política desta cidade onde agora moro, já foi muito mais rica e interessante .
Na mesma hora, tive a idéia de fazer um programa sobre a HISTÓRIA POLÍTIDA DE AVARÉ, fatos interessantes, acontecimentos curiosos, bastidores da política na história da cidade, casos e causos.
Convidei para este programa, o Prof. Franzollin, Dr. Miguel Paulucci, Adão Camargo e Jesiel que na última hora precisou cancelar sua presença.
Foi delicioso e repleto de humor, uma noite muito gostosa com muitas estórias aflorando da memória destes nossos amigos espirituosos, conhecedores e atores dos fatos políticos da cidade.
Vamos repetir a dose em novas oportunidades, é muito importante lembrarmos a riqueza de acontecimentos passados e também darmos esta oportunidade única de a população conhecer e entender melhor a cidade em que vive.
Hoje cedo gravei o programa num CD, vou fazer uma coleção das muitas oportunidades que teremos, de reunir gente tão batuta, contando inúmeras estórias.
Na seqüência, vou transcrever alguns dos "causos" citados, para este BLOG.
Aí vão as fotos que tirei no estúdio:

Adão Camargo, Prof. Franzollin, Miguel Paulucci

Adão Camargo, Prof. Franzolin, Dr. Miguel Paulucci

Prof. Franzollin
AQUI o PROGRAMA NA ÍNTEGRA
Infelizmente, meus colegas de rádio são muito melhores radialistas do que fotógrafos.
Todas as fotos que tiraram de mim, saíram tremidas!
Deixo aqui a foto que o amigo, excelente artista plástico avareense Adilson, tirou de mim, há poucos dias atrás, por ocasião da festa de aniversário da nossa querida amiga Hilda Rivabenne.
Ela foi esposa do Sr. Bóris Rivabenne, artista plástico de primeira e grande amigo de TARSILA DO AMARAL, impressor favorito de suas gravuras.
A Tarsila veio inúmeras vezes para Avaré em visitas ao casal Bóris e Hilda.
Esta história, conto mais para frente.....
Eu, no maravilhoso estúdio da Hilda, segurando a cópia de um dos quadros do Picasso que mais gosto.
Escrito por Lúcia Brandão às 17h26
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AVARÉ

Do chapéu para cima
Bárbara Paz era pessoa muita estimada e querida nos primórdios da cidade de Avaré (130 km de Bauru). Era candidata a prefeita contra um coronel da época, mas, no dia da eleição, acabou morrendo. No velório, lançaram o nome do filho dela para concorrer em seu lugar. O padre que encomendava o corpo se entusiamou; insuflando o povo a ir ao velório para votar no recém-escolhido candidato. O coronel adversário ficou sabendo e enviou alguns capangas para dar um corretivo no padre.
Mas bater em padre era complicado e o chefe dos capangas fez antes algumas perguntas ao padre:
- É pecado bater em padre? perguntou o capanga.
- Sim, respondeu o padre.
- Mas se eu fosse bater no senhor, em qual lugar eu poderia bater?
Apontando a aba do chapéu característico, o padre respondeu:
- Daqui para cima, meu filho.
O capanga deu a ordem:
- Vira o padre de cabeça para baixo! Foi uma sova danada e, no dia seguinte, o padre se mandou de Avaré...
Contada por Pedro Romualdo e enviado por Luís Fernando Lopes dos Santos
ilustração Lúcia Brandão
Escrito por Lúcia Brandão às 22h36
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AVARÉ
A culpa era do barbeiro

Yoshinori Takeguma fez dois Miais (casamentos arranjados) e nos dois houve a presença de um barbeiro. Ele veio do Japão em 1930 e foi morar em Avaré-SP na fazenda de seu tio Tioko Kumabe, que já estava estabelecido há alguns anos no Brasil. Quando tinha 19 anos o tio Kumabe resolveu fazer Miai dele com sua cunhada. Takeguma já havia visto a moça (que era irmã da tia) e não queria se casar com ela, mas mesmo assim foi para o compromisso em Sorocaba.
No dia do casamento Takeguma disse que precisava cortar seu cabelo e foi para o barbeiro. Só que ao sair do barbeiro ao invés de ir para o casamento pegou o trem e voltou para Avaré e deixou a noiva a ver navios. O tio Kumabe que havia preparado uma grande festa em casa, até com sashimi ( peixe cru) ficou uma fera. Não queria mais nem ver a cara do sobrinho.
Takeguma ficou morando sozinho na fazenda em Avaré e, curiosamente, chegou a trabalhar como barbeiro nos finais de semana. Anos depois um vizinho, o Sr. Hirama, vendo que ele era um rapaz trabalhador, achou que ele precisava se casar. E arrumou um Miai , através do monge Ibaragui, com a única filha do dono de uma fábrica de saque em Guaiçara. Hirama acreditava que Takeguma seria o noivo ideal para a moça, pois ele era sozinho no Brasil e poderia dar continuidade a família dela através do yoshii ( quando o rapaz casava com a filha única e herdava o sobrenome dela).
Foi assim que Takeguma foi para Guaiçara conhecer Yoshie Seto, que tinha uns 16 anos.
Depois que a conheceu e acertou o casamento, foi cortar o cabelo. Quando contou ao barbeiro que estava ali para fazer Miai com a filha de Noriyassu Seto, o barbeiro o avisou: "Você vai fazer Miai com a filha do Seto? Este Seto é conhecido como o advogado do diabo, ele só arruma encrenca na cidade e briga com todo mundo". Takeguma ficou assustado e quando terminou o corte de cabelo pegou o trem de volta para Avaré.
Na volta à fazenda sentou-se ao lado dele uma moça japonesa muito bonita. Ela contou que estava indo para São Paulo porque estava fugindo da família que a estava obrigando a fazer um Miai com um professor velho que ela não gostava. Depois de algumas horas de conversa a moça pediu se podia ir com ele para Avaré. Takeguma ficou então indeciso: o que faria? De um lado havia o barbeiro que contara que a moça baixinha e gordinha com a qual iria se casar era a filha do advogado do diabo. Por outro lado havia esta moça bonita, solteira, que queria ir com ele para a fazenda, mas como ele iria sustentá-la se não tinham nem para si mesmo?
Depois de pensar muito, resolveu que o melhor era não dar bola para o que o barbeiro havia falado e optou por ficar com a Yoshie Seto. Deixou então a moça no trem e partiu para Avaré sozinho. "Ainda bem que ele tomou este caminho senão eu e meus irmãos não existiriamos hoje", conta bem humorado o jornalista Cláudio Seto ao explicar que estas histórias de Miai eram muito forte.
Para se ter uma idéia de como os Miais eram levados a sério, o tio Kumabe só veio a falar com o sobrinho anos depois e ainda por causa de uma mentira. Em 1940 quando nasceu o primeiro filho de Yoshinori e Yoshie, o avô Seto mandou uma carta para Kumabe dizendo que o sobrinho estava muito doente. Kumabe ficou assustado e pegou um avião para ir para conhecer o neto. "Foi a primeira vez que desceu um avião na cidade".Foi nesta ocasião que fizeram as pazes.
enviado por Luís Fernando Lopes dos Santos
Escrito por Lúcia Brandão às 22h15
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AVARÉ
MANECO DIONÍSIO

Foi uma pessoa fundamental para Avaré, um empreendedor incansável, responsável por pilares importantes da cidade.
É nome de praça e de escola.
A família Zanluchi tem tudo a ver com este ilustre avareense, são descendentes diretos por parte da Dona Maria de Jesus Franco de Andrade Zanluchi que é sobrinha neta de Maneco Dionísio.
Antonio Zanluchi, marido de Dona Maria, é filho de Sperandio Zanluchi, vindo de Trento na Áustria.
"O mundo rural em que Maneco viveu durante o regime imperial concentrava o poder político nas mãos de ricos fazendeiros, pessoas influentes, com muitas terras e escravos.
A esse sistema oligárquico a história chama de coronelismo numa alusão direta aos coronéis aos quais estava garantido o mando nos sertões brasileiros.
Chefe político de conturbado periodo, o "coroné" era quase sempre fazendeiro e por isso visto de maneira caricatural como figura rústica, brutal e ignorante.Tal perfil acabou marcando a vida política brasileira durante quase um século.
O contexto em que se dá a trajetória política de Maneco Dionísio coincide inicialmente com o Segundo Reinado (1840-1889), quando a economia do país rendia-se a outro império, a do café, responsável pela vinda de máquinas modernas, indústrias, bancos, ferrovias, grandes negócios, mas sobretudo, divisas, na condição de principal produto de exportação do país e maior símbolo da economia nacional"
do livro "MANECO DIONÍSIO" de Gesiel Júnior

Família Zanluchi e carro em frente à igreja da Nossa Senhora das Dores.

Gilberto, Dona Maria, Edna, Senhor Antonio, Suely, Vilma.

Família Antonio Zanluchi
"Até agora tínhamos uma tênue lembrança dos fatos que envolviam a sua vida.Os dados que estão vindo à tona nos dão nova imagem da sua obra magnífica. Antes tìnhamos retratos amarelados mantidos pela família, mas graças aos trabalhos de pesquisa da nova safra de intelectuais de Avaré, os exemplos do tio Maneco, de convivência pacífica, de solidariedade, de respeito às pessoas e aos idosos, além do valor da palavra, do valor da espiritualidade, do valor da família, do valor da cidade, do valor dos professores, tudo enfim passa a ser resgatado para a valorização da sociedade e do bem comum".
Vilma Zanluchi
Do livro "MANECO DIONÍSIO" de Gesiel Júnior.

Antonio e Gilberto Zanluchi na revendedora Studebaker e carro da mesma marca.
Escrito por Lúcia Brandão às 00h34
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